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Como a corrupção tem prejudicado a pequena empresa


A primeira impressão que tenho, ao acompanhar as operações da Policia Federal, é que parece não haver lugar livre de corrupção no Brasil.

São tantos – e tão variados – setores envolvidos na indústria da propina que é terrivelmente assustador pensar o quão fundo precisaremos chegar para alcançar a cura. O Brasil hoje é como um médico tendo que amputar uma perna necrosada, antes que a infecção contamine o resto do corpo, e depois descobre que o braço também já está contaminado, e o corta também, e depois descobre mais uma parte decomposta e mais outra e assim continua cortando pedaços do corpo até não sabermos mais se o que sobra realmente vai ter alguma chance de vida. Assim estamos hoje no país (como se não bastasse a crise).

Este último escândalo, o da carne adulterada, é desanimador ao extremo, pois descobrimos como as práticas corruptas favoreceram grandes empresas que estão presentes no dia a dia das famílias brasileiras, e que são a base de referência de toda uma cadeia de fornecedores de alimentos.

E, por meio de de propinas, essas empresas ocultaram práticas ilícitas, obtendo lucro em grande escala, que foi usado para comprar concorrentes, resultando num crescimento acelerado – é como um atleta de olimpíada usar livremente esteroides – e finalmente dominando o mercado em grandes cartéis monocromáticos.

E ainda receberam apoio do governo! Do nosso dinheiro! Através de inúmeros benefícios fiscais e investimentos de BNDES e outros. Ou seja, de tudo aquilo o que o pequeno empresário não consegue chegar nem perto, esse pessoal teve acesso a tudo. Um grande erro de nossos governantes, criando monstros em vez de favorecer a livre concorrência.

E, no caso específico dos frigoríficos, essas empresas ainda colocaram em risco a saúde das pessoas com o uso de ingredientes proibidos ou a venda de produtos sem nenhum senso de responsabilidade com validade ou qualidade.

Mais uma grave falha do governo, que é a entidade na qual confiamos para regular o mercado e controlar desvios, de demorar tanto para atuar – antes tarde que nunca, é verdade – mas é desesperador saber que esses escândalos somente se fizeram visíveis pela denúncia de apenas um fiscal. Contamos mais com a sorte do que com a eficiência do sistema de governo que pagamos com nosso trabalho e impostos.

São marcas que construíram – a peso de ouro – uma imagem de confiança junto ao consumidor, usando artistas, jornalistas, chefs de cozinha, e propaganda massiva.  No processo de crescimento, decapitaram uma quantidade enorme de empresas e marcas menores, e o consumidor acreditou na publicidade, deixando de comprar no pequeno para comprar da marca favorita de alguma celebridade.

Outro grande prejuízo para a livre concorrência é causado quando os fiscais, que além de serem coniventes com as práticas ilegais de alguns, se dedicam a perseguir e chantagear os empresários honestos, criando dificuldades inexistentes e usando de seu poder de estado para ameaçar, usurpar e mesmo fechar quem não entra no esquema. Tivemos explícito agora o caso da rede de hamburguerias Madero cujo dono Junior Durski, decidiu colaborar com a investigação da Policia Federal, relatando como era extorquido para receber aprovação de sua fábrica modelo.

E, por fim, estes lamentáveis escândalos acabam por contaminar também a reputação de tantos empresários que trabalham sério neste pais, que se esforçam para fazer a coisa certa, que pagam todos os impostos, que seguem as regras, que se recusam a pagar propina – mas são colocados no mesmo saco, como se todos os donos e dirigentes de empresas fossem inescrupulosos.

Olhando sob todos os aspectos anteriores, chega a ser desanimador. Bate uma profunda tristeza de estarmos sendo jogados décadas para atrás na prosperidade de nossa população e na distribuição de renda.

Mas, para não jogar a toalha, tento acreditar que há uma perspectiva positiva, uma chance de cura: quero crer que, quando toda esta faxina moral e ética terminar, teremos um país melhor, um mercado mais transparente, práticas empresariais mais honestas, um governo menos apodrecido, um setor público que cumpra suas funções com a idoneidade para a qual os cidadãos o sustentam com seus impostos.

Espero com todas as minhas forças que consigamos sair do outro lado deste mergulho na lama com um ambiente político, econômico e social mais respirável. Para que possamos dedicar nosso tempo e nossa energia para prosperar, em vez de nos indignar.

O sentimento que tenho agora é que temos que derreter o país e fazer tudo de novo. Nós todos, como sociedade, estamos fazendo um enorme investimento no futuro do Brasil. Estamos sacrificando o HOJE, nossas poupanças, empregos, sonhos,  para que nossos filhos possam ter um AMANHÃ melhor. Vamos torcer para que nossos governantes honrem os sacrifícios que estamos fazendo e se comportem com dignidade.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo escreve nas segundas feiras. Gostaria de fazer uma pergunta, um comentário? Sugerir um assunto? Envie seu email para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

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