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O que os ambulantes podem ensinar sobre negócios neste carnaval


Nesta época da ano cidades como São Paulo ficam tomadas pelos blocos de carnaval – goste-se da folia ou não.

Eu particularmente me encanto com os blocos espontâneos, esses que surgem e crescem por iniciativa de tribos para diversão, e sem patrocínios interesseiros de cervejarias. À volta destes bloquinhos, costumo ver orbitando muitos ambulantes indo e vindo e vendendo todo tipo de coisa. Principalmente bebidas, é claro. Mas já vi vendedores de cintos e relógios, de redes, de mel, e até de colheres de pau.

Fiquei refletindo sobre as dificuldades de viver e depender do comércio ambulante de rua, e enumerei algumas das situações quotidianas que este pessoal deve superar para poder ganhar algum dinheiro, e que resumem alguns dos traços que considero o bê-a-bá de um empreendedor:

1. Informação. Tem que fazer uma pesquisa de mercado. O ambulante tem que saber antecipadamente onde vai haver movimento, e para isso deve usar sua rede de contatos, jornal, internet e boatos. Com base nessas informações vai escolher em qual bloco vai apostar suas fichas.

2. Produto. Se o bloquinho é infantil, mais água e suco. Para os adultos, cerveja. Se é de noite, mais cachaça e energéticos. Também pode segmentar, com fantasias, máscaras, acessórios. Imagino que vender apenas cerveja é ter certeza de concorrência plena e pouca margem de mexer no preço.

3. Ponto. Escolher corretamente o local onde se posicionar é uma decisão que pode determinar o sucesso ou o fracasso da empreitada. Imagino que deve ser inteligente evitar conflitos com outros ambulantes na briga por um ponto. Afinal, a informalidade do negócio o deixa mais suscetível a atuação da criminalidade, extorsão e violência. Se a gente lembrar que o carnaval dura poucos dias, é ainda mais angustiante pensar no prejuízo que deve ser “errar o ponto”.

4. Logística. Deve ser pensado como levar o estoque, chegar antes da hora de bloquear o transito. Trazer gelo, distribuir isopores, trabalhar com uma equipe de vendas pode potencializar o ganho. Quem tem uma Kombi de apoio tem maior capacidade de estoque e uma base para repor, porém, se o evento não vender bem, ou se chover, por exemplo, pode sobrar muito estoque.

5. Marketing. Cartaz, preço, discurso de venda, abordagem correta para cada público-alvo é fundamental. O pessoal sabe disso muito bem, e se adapta a cada ocasião. Saber se diferenciar da concorrência, um pouco além do produto, é uma demonstração de inteligência. Seja por um grito de guerra, ou por uma roupa diferente, ou uma bandeira.

6. Negócios complementares. O recolhimento de latinhas é um destes negócios agregados que ocorrem de forma quase natural. Se percebe que o pessoal é profissional quando aproveita todo o ecossistema e ao lado do isopor já tem um saco grande para ir coletando latinhas. Gosto destes.

7. Promoções. Saber a hora de acabar com o estoque, para voltar mais leve para casa. Se fizer a promoção cedo demais, termina o estoque antes do tempo e perde dinheiro. Se ficar por último, vai demorar mais a vender depois que passa o momento de auge.

8. Atendimento e Serviço. Isso é algo muito pessoal, não é? Imagino que para um ambulante deva ser difícil fidelizar clientes numa festa de rua, onde todos os fatores estão se mexendo o tempo todo. Mas posso afirmar, como consumidor de cerveja de isopor, que uma simpatia básica, objetividade, troco e – principalmente – cerveja bem gelada, fazem que eu tente comprar sempre do mesmo ambulante. É evidente, observando a tensão e a seriedade nos rostos de todos os ambulantes, que esta vida não é moleza não. Grande erro, quem pensa que é fácil.

A informalidade cobra um alto preço, precisa de grande esforço físico, e uma boa dose de sorte – da chuva, do calor, da fiscalização, do público. É provável que 99% dos ambulantes nunca façam qualquer análise formal – como as enumeradas acima – para tomar as decisões do dia a dia. Mas isso não quer dizer que não o façam de forma intuitiva, ou através de tentativa e erro e finalmente sistematizando as ações que dão certo, e passando o aprendizado adiante. O importante é que funcione. E, como sempre, independentemente do tamanho do negócio, são sempre estes mesmos fatores que definem quem se dá bem e quem se dá mal.

Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) escreve nas segundas feiras. Gostaria de fazer uma pergunta, um comentário? Sugerir um assunto? Envie seu email para ivan.primo@pastificioprimo.com.br

 

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