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Por que as grandes empresas estão tão preocupadas com o futuro e você ainda não


Na última virada de século, a segunda maior empresa em vendas nos Estados Unida de acordo com o ranking preparado pela revista Fortune, era a Walmart. A gigante varejista faturava US$ 167 bilhões e tinha valor de mercado de US$ 240 bilhões. Naquele ano de 2000, uma startup de varejo online faturou 60 vezes menos, cerca de US$ 2,8 bilhões, e ainda teve um prejuízo líquido de US$ 1,4 bilhão. Quase ninguém acreditava nela… Seu valor de mercado caiu quase 2/3 naquele ano. Um relatório do banco de investimento Lehman Brothers alertava que o negócio ficaria sem caixa rapidamente e muitos analistas em Wall Street acreditavam que a startup iria quebrar ou ser vendida por um preço simbólico. Mas Lehman Brothers não sobreviveu (quebrou em 2008) para ver esta startup, a Amazon, não só crescer assustadoramente, como passar a Walmart em valor de mercado em 2015. Agora, neste mês, o valor de mercado da Amazon atingiu US$ 440 bilhões, maior do que o valor das suas concorrentes tradicionais Walmart, Costco, Target, Macy’s e Kohl’s… juntas!

Mas a Walmart era a segunda maior empresa em 2000. A maior era a General Motors que tinha vendido US$ 189 bilhões e atingido um valor de mercado de US$ 38 bilhões naquele ano. Novamente, quase a mesma história, mas com uma startup que nem existia naquele ano. Fora fundada três anos depois e agora, passado quase 14 anos, muitos ainda não acreditam nela e alertam que ficará sem caixa em pouco tempo diante do prejuízo de US$ 675 milhões e vendas de US$ 7 bilhões em 2016. Mas valendo cerca de US$ 50 bilhões, esta startup, a Tesla Motors superou o valor de mercado da Ford (que era a quarta maior empresa em 2000) neste mês, uma das empresas mais simbólicas do mundo dos negócios, e ruma para ser maior do que a GM ainda neste ano.

A Walmart, GM e Ford ainda continuam grandes, entre as maiores do ranking da Fortune 500 até agora, mas será que eles estão preocupados com o futuro? Com certeza muito mais do que 50% das empresas que compunham aquele ranking do ano 2000. Segundo a consultoria Accenture, metade das empresas que apareciam naquela lista já não existe mais. E a principal razão apontada pela firma de consultoria foi a incompetência digital. As grandes empresas não estão sabendo lidar com os desafios digitais porque seus executivos desconhecem, desmerecem ou simplesmente desdenham o impacto da chamada Quarta Revolução Industrial nos seus negócios.

O concorrente agora não é apenas outra empresa existente ou mesmo uma startup. Muitas empresas não estão se dando conta de que o concorrente que mais cresce é combinação de tecnologias disruptivas que caracterizam a Quarta Revolução Industrial.  A Avis Rent a Car tem mais de 350 mil veículos em todo o mundo e a Uber nenhum. O valor de mercado da Avis é US$ 2,5 bilhões e o da Uber, US$ 68 bilhões. O fundador da Uber pode discutir com um dos seus motoristas, a startup praticamente abandonou a China e passou a ser taxado no Brasil. A Uber pode deixar de existir, mas a combinação de tecnologias peer-to-peer, móvel, armazenada em nuvem, georreferenciada, individualmente reputacionada, precificada dinamicamente, paga automaticamente, gerenciada por machine learning a partir de análise de big data, (e talvez logo via carro autônomo) e resumida em apenas um botão “solicitar” carro não só vai continuar existindo, como será cada vez mais presente. E isso tira o sono de toda a indústria automobilística porque o negócio migra dos automóveis para tecnologias em transporte.

Essa combinação de tecnologias disruptivas tem preocupado muitas grandes empresas em praticamente todos os setores, inclusive governos. Bancos deixam de ser agências, fabricantes de insumos e equipamentos tornam-se parte das soluções e hospitais não se limitam aos seus leitos da mesma forma as escolas em relação às salas de aula. Nesse novo ambiente, as empresas se tornam “amazons” da jornada do seu cliente e abandonam suas “borders” tradicionais de atuação (curiosamente a Amazon.com foi uma das principais responsáveis pela quebra da tradicional rede de livrarias Borders nos Estados Unidos).

Contudo, muitos profissionais não têm a mínima noção sobre como estas tecnologias irão impactar a sua carreira em um futuro tão distante que chega cada vez mais rápido. Não sabem qual é a grande disrupção no mercado em que atuam, mas continuam achando normal levantar a mão na rua para pedir um táxi mesmo que façam isto apenas apertando um botão no seu celular. Estes, provavelmente, ficarão sem transporte para o futuro das suas carreiras profissionais… Não dirigem, são apenas passageiros.

Marcelo Nakagawa é Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper e Coordenador de Área em Pesquisa para Inovação da FAPESP

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