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Nada para uma grande inovação disruptiva. Nem os vendedores, juízes ou taxistas.


John Patterson achava que tinha encontrado um produto que seria uma mina de dinheiro quando decidiu comprar o negócio de James Ritty em 1884. Ritty tinha inventado a caixa registradora, mas depois de cinco anos tentando vendê-la para lojas, bares e restaurantes, só algumas poucas unidades tinham sido comercializadas. E mesmo estas poucas davam mais dor de cabeça para Ritty do que lucros, pois quebravam o tempo todo.  Desapontado, vendeu tudo para Patterson e seu irmão.

Os Pattersons sabiam que tinham uma grande inovação nas mãos. Só não contavam que seus concorrentes mais sórdidos estavam justamente dentro das lojas dos seus clientes. Antes da caixa registradora, os vendedores comercializam os itens, recebiam o dinheiro e, esperava-se, que registrassem a venda em um bloco de anotações. O dono do negócio então fechava o movimento do dia que constava no bloco e conferia se o dinheiro que tinha entrado no caixa batia com o resultado que tinha calculado. E, quase sempre, a conta batia. Então por que precisaria de uma caixa registradora? E que ainda quebram o tempo todo.

Mas os Pattersons descobriram a causa de tantas quebras. Alguns vendedores costumavam não registrar algumas vendas no caderno, embolsando o pagamento recebido. Diante da obrigatoriedade de ter que usar a caixa registradora, eles simplesmente sabotavam os equipamentos fazendo com que quebrassem com frequência.

Para mostrar a fragilidade das anotações manuais, a facilidade de embolsar parte das vendas e as técnicas de sabotagem dos vendedores, os Pattersons inauguram um processo de comercialização que é padrão atualmente: Os congressos de vendas realizados em hotéis. Nestes eventos, os próprios donos dos estabelecimentos comerciais encenavam diferentes papéis: Ora como cliente, ora como vendedor esperto e finalmente como ele próprio, um dono de negócio com vários “sócios” ocultos. Só assim, longe dos seus funcionários, é percebiam o real valor daquela inovação.

Por mais que alguns vendedores ainda tentassem danificar as caixas registradoras, o valor daquela inovação do final do Século XIX para os comerciantes já tinha sido demonstrado e mais nada parou sua adoção mundo afora.

Cento e vinte e cinco anos depois, um juiz brasileiro (legalmente amparado, para deixar claro) pediu o bloqueio do Whatsapp, deixando quase 100 milhões de brasileiros e outros milhões ao redor do mundo à beira da loucura social. Como se comunicariam com as outras pessoas? Manda um torpedo! – sugere alguém. Torpedo? O que é isso? – pergunta o outro. Até que alguma pessoa lembra do Telegram. E, de repente, milhões que nunca enviaram um telegrama na vida, estão baixando o aplicativo “tipo Whatsapp” ou criando VPN para ter o acesso ao seu aplicativo preferido de volta. O bloqueio era de 48 horas, mas só durou poucas horas diante de tanta repercussão mundial.

E se um juiz não conseguiu barrar uma grande inovação, por que um grupo de taxistas conseguiria barrar o Uber na base da pancaria? Por mais que tenham a regulamentação do seu lado, nada para o avanço de uma inovação disruptiva desejada por quem usa e paga por isto.

Mas o que poucos percebem é que não são as grandes tecnologias que fazem realmente a diferença. O que tem impacto mesmo é como elas mudam as relações entre as pessoas. A caixa registradora só se tornou realmente eficiente quando um sino soava a cada transação incluída. Este som era o sinal que matinha o dono do negócio sempre alerta. E o som do Whatsapp também tem o mesmo objetivo de manter as pessoas em alerta para alguma demanda da sua rede de contatos mais próxima. E é o sentimento de alerta dos motoristas do Uber que faz realmente a diferença: bem vestidos, veículos novos e limpos, ar condicionado e música de acordo com o gosto do cliente, água (gelada em alguns casos) e outras regalias.

Nenhuma inovação disruptiva pode ser mais parada com sabotagens, canetadas ou pancadaria. Uma inovação só é barrada por outra, ainda melhor.

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo e inovação do Insper e diretor de Empreendedorismo da FIAP

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