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A importância de homenagear o 1º de maio


Tenho a sorte de escrever neste dia 1 de maio, que celebra o dia internacional do trabalhador. É uma data carregada de simbolismo, de valores cívicos e sociais. Acredito que muitas pessoas desconhecem a origem desta celebração, e pensam apenas em curtir o feriado – nada contra. Atrevido que sou, vou contar o meu ponto de vista de como esta data aconteceu.

Se pensarmos no princípio de que o trabalho é inseparável da história da humanidade, somos de fato todos trabalhadores. Ou seja, sempre trabalhamos, cultivamos, caçamos, pescamos, talhamos, construímos e usamos nosso tempo em todo tipo de atividades para buscar sustento e bem-estar (muitas vezes guerreamos e matamos também, mas essa é outra história).

O fato é que o mundo vem se transformando, nos últimos 500 anos, de forma super rápida e com uma combinação inédita de fatores que afetaram todas as relações humanas – e também o conceito de trabalho. Acho que tudo começou a acelerar depois do Renascimento, graças aos avanços científicos que ousaram contestar a teologia, determinar que a terra era redonda (e navegar), a impressão de livros, a mecanização, o avanço do comércio e serviços com as novas cidades, e o sistema financeiro que começou a dar sustentação a estas novas demandas de soluções “globais”.

Ainda não havia separação de trabalho e descanso, tampouco havia o entendimento de jornada de trabalho. A média de vida da plebe, na Europa, era de 35 anos – não dava tempo pra muita coisa. Crianças e mulheres também trabalhavam. Não havia o entendimento de proteger a infância, e as crianças morriam tanto que em alguns lugares era habito somente batizar crianças após os 9 anos. Qualquer coisa manufaturada (roupas, panelas, pão, sapatos, ferramentas) ainda era muito difícil e caro (pré era industrial). Se precisava de roupas, tinha que fazer. Se precisava de comida, tinha que cozinhar. As pessoas simplesmente trabalhavam todos os dias, não havia sábado nem domingo, seguindo os mesmos hábitos do trabalho no campo e lavoura.

Algum tempo depois, a Revolução Francesa chegou e, pela primeira vez, começamos a contestar seriamente se uma pessoa, por nascer nobre, tinha mais direitos do que quem não nascia nobre. O mundo nunca mais foi o mesmo depois disso.

Dois documentos dessa época são muito importantes para nossa história: a Constituição dos recém independentes Estados Unidos e, na França, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Ambos documentos abordam, organizam e gravam em lei e intenções, pela primeira vez, os valores humanos universais, a liberdade individual, e a igualdade entre todos sem distinção de raça e credo. Mesmo que na época isso fosse muito avançado, demoramos mais 100 anos para libertar os escravos, e mais uns anos para o sufrágio feminino. Mas seja como for, assim a civilização vai, aos trancos e barrancos.

A chamada revolução industrial apareceu depois, e muitos trabalhadores – agora operários – foram se deslocando do campo paras as cidades para trabalhar nas grandes fábricas (aqui em São Paulo tivemos os Matarazzo representando esse momento histórico) onde a remuneração era melhor do que no campo, e o pagamento era diário (não precisava esperar o fim das colheitas para receber). Mais uma vez, a combinação de elementos aleatórios (fome na Europa, guerras) movimenta enormidade de imigrantes para as grandes cidades de novos países.

Ao mesmo tempo, o trabalho começou a ser motivo de interesse de filósofos que tentavam encontrar uma explicação para a nova relação entre capital e trabalho. As filosofias evoluíram para correntes politicas (sim, agora temos partidos políticos e eleições em alguns países) e assim surge o socialismo e o sindicalismo como ponto de organização dos trabalhadores operários.

No dia 1 de maio de 1886 aconteceu na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, uma enorme manifestação de trabalhadores pedido uma jornada de trabalho de 8 horas (antes era de 16 horas). Também aconteceu uma greve geral. Combates entre polícia e manifestantes causaram várias mortes de lado a lado. Alguns anos depois, em Paris, também aconteceu uma greve geral, e foi escolhido o 1 de maio, em lembrança e homenagem aos trabalhadores de Chicago.

Aqui no Brasil, em 1917 aconteceu a primeira greve geral. O dia 1 de maio foi declarado feriado em 1925.

Dia 23 de abril de 1919, na França, foi finalmente determinada a jornada de 8 horas por dia, fazendo a divisão definitiva entre trabalho e descanso, que representa um novo entendimento, presente até hoje, em como lidamos e vivemos no mundo. Alguns maldosos dizem que usamos o nosso tempo livre para consumir mais e assim circular dinheiro, girar mais a economia. Mas de fato, a distribuição de bens de consumo e serviços no mundo passa a ser cada vez maior (e mais baratos), e número cada vez maior de pessoas começaram a ter tempo disponível para o ócio – outro conceito novo.

Hoje estamos vivendo num mundo ainda desigual, ainda com guerras, ainda com deuses servindo de ópio e nos desviando da realização pessoal. Mas, por outro lado, o mundo nunca esteve tão interligado e cheio de oportunidades para quem tem uma ideia a realizar. Ainda não sabemos como serão as relações de trabalho do futuro, mas é provável que continuem mudando. Me parece que estamos em outro salto de velocidade, e aquilo que era uma verdade absoluta para nossos pais, hoje não sabemos ao certo se serve de alguma coisa.Ainda estamos longe de muitas coisas que precisamos alcançar, como humanidade, mas sem dúvida que estamos mais perto do que há 500 anos. Que esta data sempre nos faça refletir e homenagear a todos os que sofreram e lutaram para nos fazer chegar até aqui.

Ivan Primo Bornes – fundador do Pastifício Primo: ivan.primo@pastificioprimo.com.br

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